• Prof. Antonio Carlos Rolim

Adolescentes com depressão: causas e ajudas

Segundo algumas pesquisas,

a quantidade de jovens diagnosticados com depressão

está crescendo num ritmo alarmante.

Pode-se fazer algo a respeito?

Este artigo oferece algumas dicas aos adolescentes

sobre como lidar com esse problema

e aos pais como podem ajudá-los e dar apoio.


“Quando estou deprimida, não tenho vontade de fazer nada, nem mesmo as coisas que gosto. Tudo que eu quero é dormir. Sinto que ninguém poderia me amar, que sou inútil e um estorvo.” — Sabrina.[1]


“Pensei em suicídio. Não é que eu quisesse morrer, eu só queria parar de me sentir tão mal. Em geral sou uma pessoa carinhosa, mas quando fico deprimida não me importo com nada nem com ninguém.” — Helena.


Sabrina e Helena estavam entrando na adolescência quando tiveram seu primeiro surto de depressão. Embora seja normal que haja momentos em que os jovens desanimam um pouco, o que elas sentiam durava semanas ou meses. Sabrina comenta: “É como cair em um poço profundo e escuro do qual você não consegue sair. Você sente que está enlouquecendo, que nem sabe mais quem você é”.

O que acontece com Sabrina e Helena é muito comum. O número de jovens com diagnóstico de depressão está crescendo a um ritmo alarmante. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), "a depressão é a principal causa de doença e incapacidade entre adolescentes de ambos os sexos entre 10 e 19 anos".

Os sintomas de depressão podem aparecer em qualquer fase da adolescência e incluem distúrbios do sono ou do apetite e alterações de peso. Também aparecem sentimentos de angústia, desesperança, tristeza e baixa autoestima. Outros sinais incluem: desejo de ficar sozinho, problemas de concentração ou memória, pensamentos ou ações suicidas e problemas médicos sem motivo aparente. Ao fazer o diagnóstico, os profissionais de saúde observam que vários desses sintomas ocorrem ao mesmo tempo, perduram por muito tempo e alteram a vida normal do paciente.


Possíveis Causas

De acordo com a OMS, “a depressão é o resultado de complexas interações entre fatores sociais, psicológicos e biológicos”. Alguns fatores são:

Biológicos. Às vezes, a depressão está na família (como no caso de Helena). Isso indica que pode haver algum elemento genético que afeta o equilíbrio químico do cérebro. Outros fatores de risco são doenças cardiovasculares e alterações nos níveis hormonais. Além disso, o abuso de álcool ou o uso de drogas por um longo tempo pode levar ou piorar a depressão.[2]

Estresse. Embora um pouco de estresse não seja ruim, estar sempre sujeito a uma tensão excessiva é muito prejudicial ao corpo e à mente, e pode levar à depressão e os jovens são mais propensos. É claro que, conforme mencionado, as causas específicas da depressão ainda são desconhecidas, o que pode abranger vários fatores.

Algumas situações que geram estresse para os adolescentes são a separação ou divórcio dos pais, a morte de um ente querido, abuso físico, abuso sexual, acidente grave ou doença. Dificuldades de aprendizagem também causam estresse, especialmente se o jovem se sentir rejeitado por isso. Pode-se acrescentar a isso, a pressão exercida pelos pais com relação ao desempenho acadêmico. Outras possíveis causas de estresse são o bullying, a preocupação com o futuro, o distanciamento emocional de um pai deprimido ou quando os pais têm habitualmente um comportamento imprevisível. Se por algum desses fatores o adolescente entra em depressão, o que o pode ajudar?

Depressão em meninas. Aparentemente, há mais meninas com depressão do que meninos. Uma das causas pode ser o estresse de assédio ou abuso sexual, emocional ou físico, que é mais comum em meninas. Além disso, o conceito de corpo “ideal” promovido pela mídia também pode exercer muita pressão sobre eles. Se uma garota pensa que não é atraente ou se preocupa muito com o que os outros pensam de sua aparência, é mais provável que ela entre em depressão.


Cuide da sua mente e do seu corpo

Quando a depressão é moderada ou grave, geralmente é tratada com medicamentos e cuidados psicológicos.[3] As doenças podem afetar qualquer órgão do corpo, e o cérebro não é exceção. Além disso, como a saúde física e mental caminham juntas, você deve adotar um estilo de vida mais saudável.

Se você sofre de depressão, existem coisas que pode fazer para cuidar de si mesmo. Por exemplo, alimente-se de maneira saudável, durma o suficiente e faça exercícios com frequência. Quando você se exercita, seu corpo libera substâncias que levantam seu ânimo, lhe dão mais energia e o ajudam a dormir melhor. Por outro lado, tente identificar no seu caso quais são os gatilhos e os primeiros sinais de tristeza, para que você tenha um plano de ação. Fale com alguém de sua confiança. Ter o apoio da família e dos amigos o ajudará a combater a depressão e pode aliviar os sintomas. Algo que ajudou Helena foi escrever seus pensamentos e sentimentos em um diário. Por que você não tenta? E acima de tudo, atenda às suas necessidades espirituais.[4] Você verá como isso o ajuda a ver a vida com outros olhos.

Sabrina e Helena verificaram. Sabrina diz: “Estar ocupada com assuntos espirituais me ajuda a parar de pensar em meus problemas e ver o que posso fazer pelos outros. Isso às vezes me custa muito, mas me deixa muito feliz ”. Para Helena, orar e ler a Bíblia é uma fonte de conforto. Ela comenta: “Quando oro a Deus, deixo sair tudo o que está em meu coração. Isso me dá paz. A Bíblia me lembra que Deus se preocupa comigo e que se preocupa comigo. Além disso, lê-la me permite ver o futuro com otimismo.”

Nossa educação, experiências e constituição genética influenciam nossas emoções e atitude perante a vida. Portanto, você pode se ajudar por se conhecer melhor, o que poderá lhe dar a ajuda e o conforto de que precisa, e por amar e compreender as pessoas à sua volta.


Dicas para pais

  • Lembre-se de que os adolescentes com depressão têm dificuldade em dizer como se sentem ou podem não entender o que está acontecendo com eles. Eles podem nem saber quais são os sintomas da depressão.

  • Em geral, os adolescentes expressam sua depressão de forma diferente dos adultos. Portanto, fique atento a quaisquer mudanças drásticas em seu comportamento, apetite, humor, padrão de sono e como lidar com os outros. Observe especialmente se essas mudanças duram várias semanas consecutivas.

  • Leve a sério qualquer comentário ou indicação que revele pensamentos suicidas.

  • Se você acha que seu filho tem depressão – não apenas tristeza – considere consultar um médico.

  • Ajude seu filho a respeitar o tratamento que lhe é prescrito. E se você perceber que não está melhorando ou causando efeitos colaterais preocupantes, volte ao seu médico.

  • Tenha um tempo estável para a família para as refeições, exercícios e descanso.

  • Mantenha uma comunicação aberta com seu filho e ajude-o a não ter vergonha de sua depressão.

  • Mostre-lhe frequentemente o quanto você o ama, pois haverá ocasiões em que ele se sentirá sozinho, envergonhado ou insignificante.


[1] Os nomes foram alterados. [2] Existem centenas de doenças, medicamentos e drogas ilegais que afetam o humor, ressaltando a importância de ter um profissional de saúde para fazer o diagnóstico. [3] DOMÍNIO TRÊS não recomenda nenhum tratamento ou terapia em particular. [4] “Felizes os que têm consciência da sua necessidade espiritual”. (Mateus 5:3)

Adaptado de Despertai! Nº 1, 2017.

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